Apesar do alerta gerado pela imposição de novas tarifas de importação por parte dos Estados Unidos, economistas e especialistas no setor de comércio exterior avaliam que o impacto global na economia brasileira será limitado. A medida adotada pelo governo norte-americano atinge cerca de 18% de tudo o que o Brasil exporta para o país, poupando os principais itens da pauta exportadora nacional, como as grandes commodities agrícolas e energéticas.
O peso das novas taxas deve ser sentido de forma mais intensa pela indústria de transformação e de produtos manufaturados. Setores como a siderurgia (aço e alumínio), fabricação de máquinas e equipamentos, setor automotivo, calçadista e de produtos de madeira perdem competitividade no mercado americano. Como esses segmentos produzem itens de maior valor agregado e concentram grande oferta de postos de trabalho no país, a mudança gera preocupação concentrada no parque fabril nacional.
Por outro lado, os produtos de maior volume de vendas do Brasil para os Estados Unidos não sofreram reajustes fiscais. É o caso de itens como soja, café, carne bovina, suco de laranja, petróleo e aeronaves. O impacto geral também é amortecido porque os Estados Unidos representam hoje menos de 10% das exportações brasileiras, sendo a Ásia, liderada pela China, o principal destino das mercadorias do país. Além disso, o Brasil já mantém um déficit comercial com os americanos, tendo comprado 1,5 bilhão de dólares a mais do que vendeu para eles no primeiro semestre de 2026.
Diante do cenário, o governo brasileiro estuda aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica. No entanto, analistas orientam agir com cautela e recomendam evitar uma resposta na mesma moeda. A avaliação técnica indica que uma retaliação direta teria efeito insignificante sobre a economia americana e poderia encarecer insumos no próprio mercado interno, tornando mais vantajoso apostar em negociações diplomáticas e ações formais na Organização Mundial do Comércio (OMC).









