Os indicadores de desempenho da educação inclusiva na rede pública brasileira registraram progressos expressivos na última década, acompanhados por desafios persistentes na permanência e no nivelamento de aprendizagem. É o que aponta um estudo inédito elaborado pelo Instituto Rodrigo Mendes (IRM), em parceria com a Fundação Lemann e o Instituto Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), utilizando como referência as séries históricas do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) entre 2013 e 2023.
O levantamento — que engloba estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento como o autismo, e altas habilidades — revela cenários distintos conforme a etapa escolar. Na avaliação do 5º ano do ensino fundamental, o percentual de alunos da educação especial com proficiência satisfatória em língua portuguesa dobrou no período, saltando de 20,7% para 44,5%, o que reduziu a diferença em relação aos estudantes regulares de 20,2 para 11,4 pontos percentuais. Em matemática, o índice passou de 16,9% para 33,9%. Por outro lado, nas turmas do 9º ano e do 3º ano do ensino médio, embora tenha havido avanço nominal, a brecha de aprendizado entre os dois grupos se ampliou, evidenciando gargalos na transição educacional.
Especialistas ouvidos pela pesquisa destacam que os dados refletem apenas o desempenho dos alunos que conseguiram chegar às etapas avaliadas, sem contabilizar os impactos da evasão escolar ao longo do percurso. Entre os principais entraves apontados para a consolidação de um sistema verdadeiramente inclusivo estão a escassez de formação continuada — visto que apenas 6,4% dos docentes possuem capacitação específica na área — e a defasagem estrutural, com uma em cada quatro escolas públicas do país desprovida de qualquer elemento de acessibilidade arquitetônica.








