A vitamina B12 é essencial para o funcionamento do sistema nervoso e para a formação dos glóbulos vermelhos do sangue. Ela não é produzida pelo organismo e pode ser obtida na alimentação, especialmente a partir da ingestão de carnes, ovos e peixes. Entretanto, os padrões que estabelecem se estamos consumindo níveis satisfatórios do nutriente podem estar defasados, especialmente para idosos.
Pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, publicaram em fevereiro um estudo que questiona os parâmetros atuais para avaliar a B12 no sangue, indicando que eles podem ser baixos demais em indivíduos com mais de 60 anos. Publicado na revista Annals of Neurology, o trabalho analisou exames de sangue de 231 idosos saudáveis com idade média de 71,2 anos. Os resultados indicam que mesmo aqueles com níveis considerados normais da vitamina apresentavam alterações neurológicas perceptíveis e relacionadas à falta dela.
Há dois componentes distintos na B12 que circula no sangue: a holotranscobalamina, mais ativa e melhor aproveitada pelo organismo, e a holo-haptocorrina, inativa e, portanto, menos eficaz. Segundo o estudo, idosos com menos B12 ativa sofrem mais com menor velocidade de processamento cerebral e atraso na percepção visual, por exemplo.
Exames complementares realizados com os voluntários com esse resultado revelam que eles tinham um maior volume de microlesões na substância branca do cérebro e concentrações maiores de proteína tau no sangue. Esse marcador está relacionado a um maior risco de desenvolver doenças neurodegenerativas, como Alzheimer.
Segundo o artigo, ter uma proporção maior de B12 inativa pode ser tão prejudicial quanto ter uma deficiência na ingestão dessa vitamina. Portanto, estar na faixa normal apontada pelos exames comuns pode não garantir a proteção neurológica adequada para idosos. Nesses casos, podem ser indicados exames mais específicos, que permitam dosar os níveis de atividade da B12.
Esses achados alertam para a importância de monitorar os níveis do nutriente e, quando necessário, suplementar. “É importante termos essa atenção especialmente com os pacientes idosos que têm uma percepção geral negativa de suplementos, mas eles podem ser muito importantes para evitar problemas de saúde, ainda mais em uma idade em que a alimentação costuma ficar comprometida”, afirma a geriatra Tatianna Rozzino, do Einstein Hospital Israelita.
Acompanhamento próximo
Mudanças sociais e físicas do envelhecimento muitas vezes comprometem a dieta dos idosos, e isso também deve ser considerado para evitar deficiências nutricionais. “No caso da B12, cuja origem está especialmente em proteínas animais, devemos pensar que esses são alimentos difíceis de mastigar, que precisam de uma musculatura e uma dentição fortes e deixam muitas vezes de ser consumidos”, observa Rozzino. O apetite também diminui com a idade, assim como a disponibilidade para cozinhar. “Muitos passam o dia ingerindo apenas leite, pão e lanches leves, o que deve ser uma preocupação”, destaca a geriatra.
Mas a ideia não é alterar a dieta dos idosos por conta própria. Qualquer mudança ou suplementação só deve acontecer com orientação de um profissional de saúde. E isso vale inclusive para alimentos proteicos. Embora eles sejam essenciais para manutenção da massa muscular e, em alguns casos, também forneçam B12, o acompanhamento médico e nutricional é essencial. “A alimentação adequada e o acompanhamento médico constante continuam sendo a melhor resposta para ter uma dieta e um cérebro saudáveis ao longo do envelhecimento”, orienta a médica do Einstein.









