Mães de crianças autistas vivem uma rotina de sobrecarga emocional, enfrentando burocracia, falta de políticas públicas e exclusão social, fatores que elevam risco de depressão e ansiedade. O desafio, segundo especialistas, não provém da maternidade em si, mas da ausência de serviços adequados de saúde, educação e assistência. Relatos como o de Débora Saueressig, mãe de um menino autista, ilustram o impacto da falta de acesso aos direitos básicos, tornando a busca por diagnóstico, terapias e inclusão escolar uma fonte contínua de esgotamento.
Pesquisa do Waisman Center aponta que mães de autistas têm níveis de estresse comparáveis aos de soldados em combate. Outros estudos mostram que 45% apresentam sintomas depressivos clinicamente relevantes. Fatores de gênero, raça e classe agravam o cenário, atingindo especialmente mulheres negras e de baixa renda, que assumem a maior parte dos cuidados. O reconhecimento do cuidado como trabalho e políticas interligadas entre saúde, educação e assistência são considerados caminhos para reduzir o sofrimento.
Especialistas defendem inclusão escolar, atendimento psicológico continuado e formação técnica de profissionais, além de atuação do Estado para garantir apoio integral às famílias. A mobilização social já resultou em avanços, como a Lei 14.454/2022, que ampliou coberturas de terapias, mas o quadro exige mais iniciativas e empatia nos ambientes públicos.
*com informações do Portal IG









