Uma pesquisa divulgada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) aponta que uma parcela significativa de pais e cuidadores em áreas vulneráveis no Brasil não reconhece a palmada, o tapa ou a chinelada como formas de violência contra crianças e adolescentes. O levantamento, realizado com 214 entrevistados nas cidades do Rio de Janeiro, Recife e Manaus, buscou identificar os fatores culturais e sociais que levam famílias a recorrerem a castigos físicos, sobretudo durante a primeira infância, período que abrange do nascimento aos 6 anos de idade.
Segundo a especialista de Proteção à Criança do Unicef no Brasil, Luiza Teixeira, as famílias entrevistadas costumam diferenciar agressões pontuais, classificadas por elas como corretivas, do espancamento severo. A análise da entidade identificou ainda o baixo nível de conhecimento sobre a Lei Menino Bernardo (Lei nº 13.010/2014), legislação que alterou o Estatuto da Criança e do Adolescente para proibir expressamente o uso de punições corporais ou tratamentos degradantes no processo educativo.
O relatório ressalta a escassez de ferramentas pedagógicas e de apoio psicológico para que adultos estabeleçam limites sem uso da força, além de lacunas na capacitação dos profissionais que integram a rede pública de assistência e proteção social. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que, em 2025, o país registrou mais de 60 mil ocorrências de maus-tratos ou lesões corporais contra crianças e adolescentes em ambiente doméstico, representando um aumento de 106% na comparação com o ano anterior. Especialistas em psicologia e pedagogia reforçam que métodos punitivos afetam o desenvolvimento cognitivo e emocional infantil, defendendo a orientação contínua das famílias para a mediação de conflitos sem o recurso do medo ou do constrangimento.








