Os preços do petróleo registraram uma queda significativa nesta quinta-feira, refletindo o aumento das preocupações sobre uma possível desaceleração da demanda global. O recuo ocorreu após o anúncio de novas tarifas comerciais pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ampliaram o temor de uma recessão econômica.
No mercado futuro, o barril do Brent, referência internacional e para a Petrobras, recuava 4,38%, cotado a US$ 71,69. Já o barril do WTI, referência nos Estados Unidos, desvalorizava 4,62%, atingindo US$ 68,41 às 7h45 (horário de Brasília). A pressão sobre os preços foi intensificada por um aumento nos estoques de petróleo dos EUA, que superou as expectativas, reforçando preocupações sobre a fragilidade da demanda por combustíveis no país.
A tensão geopolítica no Oriente Médio e o conflito entre Rússia e Ucrânia tiveram impacto limitado nas cotações, enquanto os investidores aguardam a reunião da Opep+ ainda nesta quinta-feira. A expectativa é que o grupo discuta possíveis ajustes na produção, o que pode influenciar os preços nos próximos dias.
O anúncio das novas tarifas dos EUA provocou forte reação no mercado. A tarifa básica de 10% sobre a maioria das importações americanas, combinada a tributos adicionais sobre os principais parceiros comerciais, pode afetar significativamente o comércio global. A medida gerou ameaças de retaliação e elevou o risco de desaceleração econômica, cenário que tradicionalmente reduz a demanda por petróleo.
Entre os países mais afetados pelas tarifas está a China, cujas importações enfrentarão uma alíquota de 54%. A União Europeia também será impactada, com tarifas de 20%. Apesar dos desafios, dados recentes mostram que o setor de serviços chinês cresceu acima do esperado em março, impulsionado por estímulos governamentais. Ainda assim, analistas apontam que a demanda chinesa por petróleo vem apresentando tendência de queda nos últimos anos, refletindo o enfraquecimento do crescimento econômico do país.