A resistência para ir à aula, o isolamento dos amigos e a queda repentina no desempenho escolar deixaram de ser encarados como mero drama da adolescência e viraram sinal de socorro. Em meio às reflexões do Dia Mundial de Combate ao Bullying, celebrado nesta terça-feira (20), dados atualizados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2024), divulgada pelo IBGE, escancaram a dimensão do problema no país. O levantamento mostra que quatro em cada dez estudantes brasileiros entre 13 e 17 anos afirmam ter sido vítimas de agressões sistemáticas no ambiente escolar, com mais de 27% relatam episódios recorrentes de humilhação.
Especialistas em educação parental alertam que os ataques recorrentes ultrapassam as agressões físicas e ganham contornos cada vez mais sutis, como apelidos pejorativos, ridicularização da aparência e a exclusão social deliberada. O cyberbullying também ganha força nos ambientes digitais, ampliando a pressão psicológica sobre os jovens. Além das alterações visíveis no comportamento e no humor, sintomas físicos frequentes, a exemplo de dores de cabeça ou de barriga sem causa clínica, e avarias inexplicáveis no uniforme e no material escolar devem acionar a atenção imediata dos responsáveis.
O enfrentamento da violência exige uma postura acolhedora da família e uma resposta institucional estruturada das escolas, evitando confrontos diretos ou punições impensadas que exponham ainda mais a vítima. A orientação de especialistas é validar o sofrimento do adolescente sem culpabilizá-lo, documentar os fatos e acionar a gestão pedagógica para a adoção de protocolos claros de proteção. Do mesmo modo, a atenção deve se voltar a identificar e corrigir comportamentos de quem pratica o bullying, trabalhando a responsabilidade e os limites para interromper o ciclo de agressões no ambiente de ensino.







