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Câncer de intestino exige rastreamento precoce para aumentar chances de cura

Doença silenciosa atinge cerca de 45 mil brasileiros por ano e pode evoluir sem sintomas até fases avançadas, dificultando o tratamento.
Imagem: Elza Fiúza/Agência Brasil
Câncer de intestino afeta 45 mil brasileiros por ano. Diagnóstico precoce por meio de exames como colonoscopia é essencial para o sucesso do tratamento.

Os cânceres de cólon e reto, que afetam o intestino, são hoje os terceiros mais frequentes no Brasil, com aproximadamente 45 mil novos casos anuais, segundo estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) para o período de 2023 a 2025. A maior incidência ocorre na Região Sudeste, especialmente entre as mulheres. Especialistas alertam que o diagnóstico costuma acontecer tardiamente, pois os primeiros sintomas só costumam aparecer em estágios mais avançados da doença.

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De acordo com o cirurgião gastrointestinal Lucas Nacif, membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva, o rastreamento é essencial, especialmente para pessoas com fatores de risco. “Quando o paciente tem algum familiar com câncer diagnosticado, essa idade para iniciar os exames vai diminuindo. O rastreio é feito com a análise da história de vida, exame físico, exame de fezes e colonoscopia”, detalha.

A colonoscopia permite visualizar diretamente o interior do intestino, possibilitando a identificação de pólipos, nódulos ou sinais precoces de câncer. Já o exame de fezes ajuda a detectar sangramentos ocultos. Essas estratégias são fundamentais para flagrar alterações ainda em fase inicial, quando as chances de cura são maiores.

Além do histórico familiar, outras condições clínicas elevam o risco, como a Doença de Crohn e inflamações intestinais crônicas. O estilo de vida também tem influência significativa: sedentarismo, obesidade, consumo frequente de álcool, tabaco, alimentos ultraprocessados e dieta pobre em fibras estão entre os fatores de risco apontados por especialistas.

Apesar da importância dos exames preventivos, Nacif destaca que ainda há resistência por parte de muitos pacientes. “As pessoas têm receio de procurar um médico para fazer essa triagem, porque o exame começa com a avaliação física, e o médico normalmente tem que fazer um toque retal. Mas com uma pequena avaliação, o profissional já pode ser muito específico nessa prevenção. O exame é técnico, sem qualquer julgamento”, esclarece.

O médico também chama atenção para os sinais de alerta que surgem apenas quando a doença já está em fase avançada. Entre os principais sintomas estão alterações no trânsito intestinal, como constipação ou diarreia frequente, perda de peso sem causa aparente, dor abdominal e presença de sangue nas evacuações. “Essas manifestações geralmente acontecem quando o câncer já está maior, por isso é tão importante o rastreio”, conclui Nacif.

MaceióBrasil