Trânsito

Empresários avaliam que ‘é melhor perder passageiros a fechar empresas’

Em coletiva, representante da categoria culpa tributos e transporte coletivo pelo reajuste da passagem de ônibus

O advogado Fernando Paiva, que falou com a imprensa na manhã desta quinta-feira (11) (Foto: Sandro Lima)

Os empresários do transporte coletivo de Maceió culpam principalmente o transporte clandestino e o aumento de tributos pelo aumento da passagem de ônibus em Maceió. De acordo com o advogado Fernando Paiva, que falou com a imprensa na manhã desta quinta-feira (11), o aumento proposto não decorrer somente por interesse dos empresários.

“No ano passado foram 67 dias a menos de reajuste, já que só foi realizado em março. Além disso, houve um aumento de 25% do óleo diesel e 20% no decréscimo de passageiros, além da falta de fiscalização dos clandestinos. O aumento é necessário. É melhor perder passageiros a fechar as empresas e os postos de trabalho. Com um valor adequado da tarifa, dá para manter o transporte coletivo”, afirmou.

Paiva destacou ainda que o contrato das empresas com a prefeitura prevê aumentos anuais da tarifa, dentro das ações do Sistema de Integração Temporal.

O reajuste proposto para 2018 é de 15%, o que elevaria a passagem para R$ 4,02. Sobre possíveis problemas com o troco de três centavos, quando o passageiro pagar R$ 4,05, o advogado garantiu que as empresas devem se adequar. “A empresa vai se adequar ao troco e o principal objetivo é que os usuários usem o cartão eletrônico, o que facilita esse pagamento”.

Diminuição do número de passageiros

De acordo com o advogado, o esperado era 7,2 milhões de pessoas transportadas no ano passado e 2017 fechou com 5 milhões. Uma queda de 17% que geraria um prejuízo de R$ 4 milhões.

Por conta disso, as empresas tenham hoje 580 linhas, quando estariam previstas, na licitação, 720.

O advogado afirma que a clandestinidade é causa dessa diminuição. Segundo Paiva, existe uma grande clandestinidade no transporte em Maceió e pouca fiscalização. “Temos táxi-lotação, vans clandestinas, mototáxis que circulam sem recolher tributos. Além disso, temos o projeto Domingo é Meia, a meia-entrada para os estudantes, a gratuidade para idosos e pessoas com necessidades especiais. Isso faz com que o pleito do reajuste seja na ordem de 15%”.

Segundo Paiva, não fossem essas questões, as empresas poderiam estar pedindo o reajuste técnico previsto no contrato da licitação, que é apenas o da inflação, o que ficaria em torno de 3%. “A questão do peso do aumento da passagem sobre o usuário precisa ser uma preocupação do município. Em alguns estados e municípios, foram criados subsídios. São Paulo contribui anualmente com R$ 20 bilhões. Teresina reduziu para 8% o ICMS sobre o combustível para reduzir esse impacto. Isso é demonstrar preocupação com o usuário”, opinou.

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