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Corpo de bebê que ‘sumiu’ no HU de Maceió foi incinerado, diz hospital

HU informa que houve erro na pesagem do feto, que teria 520g.
Incineração é protocolo do Ministério da Saúde para casos como esse.

O corpo da filha da adolescente Ingryd Tavares, que havia morrido aos seis meses de gestação e estava sendo procurado pela família desde a retirada da barriga da mãe, foi incinerado no Hospital Universitário Prof. Alberto Antunes (HUPAA), em Maceió.

A informação foi confirmada nesta segunda-feira (8) por meio de nota pela assessoria de comunicação da unidade.

Ainda de acordo com a nota, a morte do feto foi constatada na madrugada do dia 5 de junho, e foi considerada aborto por conta do peso e do tempo de gestação, segundo critérios do Ministério da Saúde (confira nota na íntegra ao final do texto).

O hospital esclarece ainda que o peso de 520g do feto, informado no atestado de óbito, estava errado. Essa pesagem foi feita levando em conta o peso do bebê e da placenta. O protocolo diz que fetos com peso abaixo de 500g, como era realmente o caso da filha de Ingryd, devem ser incinerados.

“O feto desapareceu. A assistente social me explicou que ‘tudo bem, isso não pode acontecer, eu entendo a senhora’, mas não me deu nenhuma explicação”, afirma a avó da adolescente (confira no vídeo ao lado).

Antes de receber qualquer informação sobre o corpo da filha, o pai da menina se dispôs a ajudar um dos maqueiros da unidade a procurá-lo no lixo do hospital.

“Eu já tinha comprado tudo, enxoval, sabe? Já tinha até escolhido o nome pra ela. Ia se chamar Emily Yasmin. Isso é uma coisa muito séria. É um bebê e nós temos que enterrar ele. É o mínimo que podemos fazer”, diz, abalado, o pai da criança, Emerson dos Santos.
A mãe do bebê estava desconsolada. “Queria que eles encontrassem a minha filha”, desabafa Ingryd.

Confira abaixo a nota do HU na íntegra:

Nota de esclarecimento

A direção do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes (HUPAA) esclarece que o feto da paciente Ingryd Maria Tavares Clarindo, que teve morte intrauterina comprovada através de exame de ultrassonografia, foi eliminado (induzido por medicamentos) no dia 05/06 (sexta-feira) às 2h30 da madrugada, apresentando maceramento e em processo de deterioração. O feto, de uma gestação de 20 semanas e cinco dias, foi considerado aborto em função do peso e do tempo gestacional, segundos critérios do Ministério da Saúde, e foi destinado à incineração, seguindo o protocolo para todos os casos semelhantes (aborto).

O hospital também esclarece que o atestado de óbito emitido para a família foi um equívoco resultante da pesagem errada feita com o corpo do bebê junto com a placenta, que deu 520 gramas, quando este deveria ser pesado separadamente. Pelos critérios do Ministério da Saúde, todo feto com peso acima de 500g deve gerar um atestado de óbito. A direção do hospital se solidariza com a dor da família e reafirma que está aberto à qualquer esclarecimento que eles necessitarem.

G1 Alagoas