Com a Palavra

Ronaldo Lessa: Anular o voto não adianta

Circulam mensagens dizendo que anular o voto pode levar a novas eleições, o que não é verdade.

As redes sociais terão um importante papel nas eleições deste ano. Contudo, o que pode ser uma ferramenta útil para disseminação de propostas pode, também, servir para desvirtuar o processo. O Tribunal Superior Eleitoral está preocupado com as chamadas fake news (notícias falsas) que confundem o eleitor e pode induzi-lo a erro, caso do mito do voto nulo. Circulam mensagens dizendo que anular o voto pode levar a novas eleições, o que não é verdade. Um pleito é decidido a partir dos votos válidos, mesmo que a nulidade seja superior a 50% do eleitorado.

Por que então a insistência em afirmar que isso pode ocorrer? Talvez devido a um erro de interpretação. O artigo 224 do Código Eleitoral assegura que pode haver novas eleições se a nulidade atingir mais da metade dos votos, mas só em caso de fraude, coação, utilização de falsa identidade. E isso quem decide é a Justiça. Portanto se o eleitor manifestar seu desejo de se abstrair do processo, o fato não terá impacto significativo sobre o resultado do pleito.

Todavia há um porém, e disso têm se valido os boateiros de plantão. Alguns candidatos têm eleitores fiéis. O voto nulo implica em que aquele nicho está resguardado. A validação, por exemplo, de 30% pode significar o destino de uma cidade ou de um país. Com a campanha falsa, monta-se uma estratégia: a concorrência diminui e as chances de vitória aumentam.

O voto nulo tem sido usado como forma de protesto: “não quero saber dos políticos, vou anular o voto”, é o lema nas redes sociais. Mas tal campanha pode ter um efeito contrário e acabar beneficiando o político clientelista, aquele que não está preocupado com os interesses da sociedade e sim com suas próprias conquistas. Daí, a desconfiança com as notícias falsas, espalhadas no período eleitoral. É como se houvesse um planejamento malévolo para macular as eleições de 2018.

“Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade“. A frase de Joseph Goebbels, que foi ministro da Propaganda de Adolf Hitler na Alemanha Nazista, espelha bem o que vem ocorrendo hoje no Brasil. O pensamento retrógrado vale-se de todas as armas para impor o caos, destroçar a democracia e oferecer uma alternativa de poder que não contempla as aspirações populares. É uma batalha que se trava com golpes baixos, escaramuças e que conquista os incautos. Tem gente apostando que se candidato “x” for eleito, o Congresso será fechado e os militares voltarão ao poder. Um descalabro que pode conduzir o País para uma aventura tenebrosa. Não podemos permitir que isso aconteça. Lutamos muito pela democracia e temos que preservá-la.

| RONALDO LESSA é deputado federal pelo PDT-AL.

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