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Milton Hênio: Driblando as tensões

Perplexidade me causa quando ouço na imprensa falada e escrita que o Brasil terminou o primeiro semestre com trinta milhões de depressivos. Isso é horrível porque o organismo humano, máquina grandiosa, só funciona bem desde que você esteja feliz. Nos dias atuais o Brasil vive um processo de degeneração econômica e social jamais visto, com o estresse crônico sendo um problema que se agrava. Nossa população tem sofrido muito em todas as áreas sociais. Ao contrário do estresse agudo que acontece a partir de um susto momentâneo, de uma queda, de uma batida no veículo provocando uma sobrecarga de adrenalina, o estresse crônico polui o cérebro com uma quantidade constante de cortisona (hormônio essencial para o bem estar do ser humano). O homem brasileiro carrega nesses dias um inimigo invisível que lhe rouba a tranquilidade de espírito, suga-lhe as forças, impede-o de conciliar o sono, retira da vida a alegria, provocando-lhe doenças. Este inimigo chama-se preocupação.

Preocupação significa inquietar-se, sofrer antes do tempo. É o que está acontecendo hoje com uma grande parte da população brasileira, que vive sofrendo por pensar no dia de amanhã. A preocupação é uma invasão do futuro, de um futuro cujas ameaças estão apenas em coisas imagináveis. Leio nos comentários das revistas médicas que atualmente 86% do povo brasileiro vive muito preocupado com algum problema: a educação do filho adolescente, dívidas, vencimentos minguados para as despesas do lar, doenças diversas com ele ou alguém da família, insatisfação no trabalho, separação do casal etc.

A frase que nestes tempos modernos trazem como referencia maior nos lares, no ambiente de trabalho, e em tantos outros ambientes é: “Estou exausto!” O excessivo trabalho físico aliado ao grande volume de preocupações desgasta muito o organismo. O Psquiatra canadense Hans Selye que criou o termo estresse, nos ensina que assim como o trânsito acende o sinal vermelho para interromper o fluxo de veículos, é necessário que o individuo acenda um sinal vermelho e luminoso para guiar a vida em seu fluxo de preocupações. Contrariedades em excesso, trabalho além dos limites, compromissos econômicos além das possibilidades, desgaste emocional, representam um verdadeiro fermento para um bolo de complicações orgânicas.

Nenhum organismo suporta as agressões externas que a vida promove no individuo. Nos EUA chamam ao infarto do miocárdio de “doenças dos senhores diretores” em virtude do acúmulo de tensões as quais são submetidos. Atualmente, são jovens senhores acometidos de infarto, de doenças crônicas, de diabetes, de câncer e tantas outras patologias fruto do estresse, gerado por uma preocupação ou várias preocupações. Como fazer para evitar tal situação? Procure caminhar, ouvir musica, ficar no silêncio, valorizando o que realmente importa, buscando paz interior e harmonia com o exterior, vivendo em plenitude como dizia Santo Agostinho, na certeza de que existe um Cristo zelando e olhando por nós, buscando a paz interior, clamando para afastar a preocupação e no equilíbrio procure a razão de viver, sempre sorrindo, fazendo e promovendo felicidade aos que lhe cercam.

Administrar a tristeza muitas vezes nos apresenta dificuldades, principalmente quando a perda de pessoas queridas se tornam realidade. Esta semana pude vivenciar tal sentimento com a ida para a eternidade de Ismaelita Brandão Tavares, esposa de um amigo-irmão Manoel Correia Tavares e Jaqueline Vergetti, filha de outro amigo-irmão Geraldo Vergetti. Em um panorama acerca da vida, só temos uma certeza: não sabemos o dia de amanhã. Procure viver cada instante de forma única, valorizando e cultivando o amor conscientizado que cada dia é menos um dia em sua vida.

Milton Hênio é médico e membro das academias de Medicina e de Letras e do IHGAL.

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